“Olha a voz que me resta
Olha a veia que
salta
Olha a gota que
falta/Pro desfecho da festa
Por favor
Deixe
em paz meu coração”
Não diminuam minha dor.
Por menor que lhe pareça.
Não me Dê soluções.
Não tente me arrancar da
minha angustia, terra onde minhas raízes alcançam.
Me poupe de suas
resoluções infalíveis!
Não sobreponha sobre mim o peso
da incompetência de não conseguir lidar com a fúria devastadora dos próprios sentimentos – autoconhecimento não faz parte dos livros de Freud...Não há fórmulas, nem manual, nem livros
Não me diga o que devo e o que não devo fazer.
Não jogue sobre mim mais
entulhos de Problemas...
Não me dê bosta de saídas.
Não me ofereça luz,
Nem sugira que a porta
está aberta,
Não se mate dentro de mim,
ao ponto de, eu não sentir vontade de procurar a ti...
Se te busco. Desculpa... É
que nos momentos em que o deserto está mais quente eu contava que poderias
trazer um pouco de orvalho...
Mas trazes mais deserto, mais calor, mais dor, mais angústia....
E te alivias descarregando sobre esta terra amaldiçoada outras questões, outros desertos...
Como se aquele que me enlouquece com sua máxima potência fosse pouco.
E te vás.
E me deixas aqui num mundo sombrio.
Sem esperança, sem sono, sem tesão pela vida....
Querendo vorazmente fazer parte dessa terra, nessa terra, que quem sabe assim, torna-se fértil.
E aí penso: que bosta sou?
E me respondo: Nada.
Um ser que nada tem a oferecer. Um nada;
Um indivíduo que nasceu morto.
Que vive por acidente, e que de tão covarde, nada faz...
Por favor, não resuma minha dor.
Ela tem o tamanho que eu quiser.
Não me diga que irei
superar – nem eu mesmo sei.
Não coloque Deus nessa
situação
Não me fale de fé.
Não diga nada, só
escute...
Escute porque chegou um
momento em que as letras não conseguem comportar o escritor e sua dor...
E ele tem que
escolher se nas letras a dor fica....
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