Bentinho, personagem central de Dom
Casmurro, criado por Machado de Assis, afirma que:
"um homem consola-se mais ou menos das coisas que perde, mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo".
Tudo bem que é uma visão muito amarga do solitário Bentinho, mas quando um homem já nasce morto(já nasce póstumo ou natimorto, como dizem os especialistas de saúde/morte) a ressurreição torna-se enfadante para ambos os lados; e depois de vivo a vida parece "doer, roçar, ranger,(...)" e "sinto vontade de sair para fora de todas as lógicas de todas as sacadas e ir ser selvagem, entre árvores e esquecimentos." Sinto uma vontade incessante e até incontrolável de chorar, talvez seja o pedido de perdão que não consigo pronunciar, talvez seja uma voz que em mim diz:"estás errado e sabes disso";
Talvez seja despreparo, nunca imaginei alguém chorar por preocupação por mim...
tudo isso
porque
"não sei
sentir. Não sei ser humano. Não sei viver de dentro da alma triste com os
homens, meus irmãos na Terra. Não sei ser prático, cotidiano, nítido(...) Não
sei se a vida é pouco ou de mais pra mim. Não sei se sinto de mais, ou de
menos(...)
Estou vivendo todos os pensamentos, todos os gestos e ainda sim sinto triste porque às vezes acho que quero viver e não consigo... Amo e Odeio, como toda a gente... mas pra toda a gente isso é normal e institivo. Pra mim é o escape. A excessão, a válvula, o espamo, o alumbramento...."
A vida é muito interessante, muito linda, e deste show somos atores e expectadores ao mesmo tempo, porque temos a chance de revisar nossa história e modificar as cenas dos próximos capítulos(amadurecer o personagem e com ele a pessoa deste teatro real. )
Entendo toda a sua angústia... eu só não sei como controlar as minhas emoções. E quando a Bíblia diz que o "coração fala do que o coração está cheio" pode significar que as palavras que saem dos lábios conotam a explosão da fusão de sentimentos que se passa em determinada circunstância.... Não significa dizer que é o que a pessoa pensa no cotidiano. É apenas uma defesa que às vezes nem sabemos o motivo....
Entendo que este minúsculo texto não acrescente, nem retire nada em sua vida...
Isso aqui faz parte da válvula. Do escape. Do espasmo. Da excessão.
Isso é uma ponta desse iceberg que sou...
Isso é uma estranha tentativa de autoconhecimento...
Me julgo tão misterioso que às vezes me entedio comigo mesmo e gostaria de por um instante inexistir...
Foi aí que cometi o maior pecado em relação a você...
Hoje entendo que realmente não estou só. Na verdade eu nunca estive. Agora compreendo o que você sente.
E, por vergonha, ou desespero, choro incessantemente ...
Peço desculpas a Deus. A você. A mim.
Isso que você
agora lê é uma parte de meu esvaziamento.De minha reflexão e mudança de
postura.
Todo ser humano pode mudar de opinião de um dia pra o outro, desde que reflita sobre si, e sobre sua postura.
Temos o Direito de mudar de postura e se esforçar ao máximo para diminuir, reduzir, os impactos que proporcionamos aos outros e, em consequência, a nós mesmos...
A diminuição e até exclusão das coisas ruins que temos - e possuimos - em nossa personalidade deve ser posta em prática na hora que se conclui que machuca alguém...
Em fim, havia um câncer em mim, e este texto é ele arrancado de minha alma doente... este texto é o Câncer fora de meu espírito...
Agora o paciente precisa dos medicamentos corretos para o seu tratamento e para cicatrizar as feridas das consequências que o meu espírito proporcionou em si mesmo...
Júlio César Maia
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