I Epístola à Natália Alves

"Olhos nos olhos quero ver o que você Faz,
 Ao sentir que sem você 
Eu passo bem de mais[...]"

Chico Buarque 


O escritor é uma alma inquieta. Não  cabe no corpo. Evade-se às letras. As ama, as odeia, as chora.
Atordoa-se com elas.
 Fusiona-se.
Explode.
Ultimamente esta Letra tem sido você.
De onde tiras tanta força? De onde vem tanta vontade de Viver, mesmo diante de tanta correnteza contrária?
Qual vento propulsiona para frente, de forma, a quase anular o atrito dos contrários?
O que ocorre, como consegues ir tão longe, muito além de seus objetivos? De seus Limites?
Poucas coisas  me emocionam tanto quanto este eu-poético criado por Chico. Não apenas por ser este lirismo de características femininas, mas pela força de recomeçar.  Recomeçar ao ponto de perdoar, de permitir ser amada por outros homens, bem melhores que o que a abandona.
O trecho que mais me inquieta,  que mais me faz lembrar você, que mais se parece com você é quando afirma: “ quando você precisar de mim/ a casa é sempre sua/venha sim.”
Ultimamente tenho estado inquieto, tenho visto o quanto as mulheres são evoluídas, o quanto são capazes de reconstruir-se, reconstruir-nos, de ser cada vez mais anjo.
O Escritor é uma Alma Inquieta. Evade-se às Letras. Luta com Elas. Move-as. Faz ondas tsunamicas de questionamentos e arrasta para si a alma de outras pessoas. De outros seres inquietos. E a partir de sua inquietação, faz nascer outras reflexões inquietas.
E é no reino das palavras que encontram-se criador e criatura. Personagem e autor. Poeta e  Eu-lírico. Amante e Amador. Admirador e Coisa Admirada. Irmãos. Seres parecidos em corpos diferentes, com pensamentos e almas iguais, conhecedoras de si, que se respeitam mutuamente  e entendem, mesmo poeticamente a dor que cada um enfrenta. A inquietação.
O Escritor, Natália é, em si, uma alma inquieta...


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