CAIS

Carrego você em minha essência.
Trago-te em minha alma
enraizada em minha terra árida...
Estás  em mim por tudo o que dizes – e calas.
Pelo que buscas em silêncio, e por aquilo que não posso ser – ou negligencio;
Estás em mim pelo que és – e pelo que desejo;
Pela força do teu amor – pela fúria de tua paixão;
Pelo nosso amor – pelo nosso erotismo;
Pelo seu cansaço – e pela minha força;
Pela sua força – e meu cansaço;
Por nossas efemeridades – e por nossas certezas!
Carrego em mim você não mais como um navio que atracou neste
porto partido – fragmentado – em eterna expansão – em caos!
Como parte inseparável deste Cais...
Carrego as tuas letras,O teu perfume a tua essência, em minha pele como tatuagem...
irremovível; intocável!
Carrego teu deus – e teu demônio!
Carrego você em mim
como a mim mesmo...
Como se estivesses em meu ventre ;

Como único Oasis capaz de trazer vida a esta terra amaldiçoada...
Sem orvalho, sem consolo, sem sonhos!

                Julio Cesar Maia


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