“Quando meu bem querer me vir/Estou certa que há de
vir atrás,
Há de me seguir
Por todos, todos, Todos os umbrais”
[Chico Buarque]
Poucas coisas desnorteiam tanto o espírito
humano quanto o sentimento de abandono. Foi neste contexto que nos conhecemos.
Foi nesse
momento de abandono, de falta de sentido que você com sua voz calma, suave,
madura, mostrou o sentido de estar na Universidade, de estar fazendo Letras.
Foi Lendo a minha alma inquieta, nas melancólicas
letras de meus poemas, que você notou o que chama de Sensibilidade.
Que notou em
mim o que pouco sou:
O pouco
escritor, o pouco crítico literário,
o pouco conhecedor da Literatura .
Da dissecação da Alma humana.
Foi você que me fez ver um sentido na vida,
no Curso;
no amor a
arte;
na música,
na Literatura.
Você, com sua maturidade fez enxergar
o que é o ser humano.
O que é errar,
arrepender-se,
se perdoar.
Se buscar.
Se conhecer.
Nenhuma música,
pelo conteúdo, pela poesia, pela seleção vocabular,
pela delícia da voz, pela calma e desespero do eu –lírico,
nos aproxima tanto!
Essa música mostra, de maneira sutil, o desnorteio,
a dúvida, o conflito humano e as
contradições que, como humanos somos.
E como humanos pensamos, e como humanos discutimos,
concordamos e discordamos....
Foi nesse contexto que você me humanizou, me
forneceu um norte, me fez destruir as raízes de preconceitos,
a falta de esperança em dias melhores,
a poesia,
o amor
incondicional pela arte,
o resgate da
alma inquieta
o eterno
aprendizado acerca da alma humana.
Júlio Cesar Maia
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