II Epístola à Alexsandra Guirra

“Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos"

Chico Buarque 



Meu Coração tem pressa em amar. Já esperou de mais o momento. Já sofreu de mais por implosões; já se desonerou de mais. Já virou larva e sangue. Já virou escombro e reconstrução. Já virou algoz e prisioneiro de si mesmo...
A reconstrução em cima do que sobrou, o essencial do que está apodrecido, necrosado, Não é de acordo com nossa cronologia.
Não deixe que as unhas do meu coração arranhem sua alma. Sangrem seu amor. Destrua o seu Cais...
Meu Coração tem pressa em gritar. Não importa qual grito seja:
 Se de Dor. Se de Desespero. Se de Ódio.
 Se de Ternura.
Se de Agonia, ou de Sossego.
Ele quer gritar até rasgar-se. Até não mais caber em si.
Até não restar mais voz. Ele quer chorar até desidratar-se. Até ressurgir – se ressurgir.
As palavras que se escutam. As palavras que se escrevem. São gritos que se misturam em um universo sub-humanizado. Sub-mundano...
Com as palavras feitas para sangrar, já nos cortamos. Com as palavras feitas para amar, já nos rasgamos. Com os adjetivos feitos para afastar, já os aproximamos...
E agora, o dia ta lindo lá fora, e o meu coração gritando, em pedaços, caído ao chão.
Solta as Unhas do meu coração! ele tem estado agonizado, anda louco desvairado, feroz, enjaulado...
De todas as palavras que tenho pra me defender, já me acusei. De todos os discursos que eu tinha pra ganhar, já fui vencido. Agora, entenda a tempestade, rasgue um pouco seu espírito e estenda sua mão... Olhe um pouco pra meu horizonte e veja, ele ainda está em construção...
Solta as unhas do meu Coração: elas estão me rasgando...
E com tantas palavras a dizer não sei como digo isso...


Júlio Cesar Maia


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