“você é um Bicho
Fabiano.”
Não Júlio César, o bicho é você.
Preciso
conversar com alguém.
Mas
alguém que não interrompa.
Que
não Interaja.
Um
monólogo onde o outro só me escute atentamente;
Nada
fale. Nada gesticule.
E
só a mim, apenas a mim, sua atenção esteja voltada.
Não
apenas porque sou egoísta.
O
egoísmo aqui é só uma ponta do que quero,
Onde
na Realidade, não sei o que quero.
Talvez
pelas veredas que tracei.
E
pelas brasas vivas onde pisei esteja predestinado a nunca saber, e por isso
mesmo, fadado ao fracasso, este sabor amargo que me embriaga aqui.
Preciso
conversar com alguém que, mesmo presa a minhas regras, possa ter a liberdade
de, quando eu terminar, dizer-me tudo o que sou.
Arruinar-me.
Destruir-me.
Desnortear-me.
Fazer-me
repensar morrer.
E
não existe melhor do que escrever.
A
vida torna-se enfadonha. Possuo um ódio da viver.
Das
pessoas.
Por
isso as frases soltas. Pontiagudas. Hemorrágicas em mim mesmo
Sinto-me
um câncer.
Algo
que auto-destroi.
A
aspereza. A seca.
O
sol que não existe.
Sinto-me
egoísta. E não sei dói.
Ou
se assim devo ser.
[não
me conheço, não tenho ideia de por onde começar]
Sou
um bicho.
Animal
meramente institivo.
Sem
alma;
Sem
fé;
Ateu
não declarado.
Suicida
nato.
Amor
e ódio; vulcão e neve.
Verdadeiramente
falso; insano.
Tenho
veredas?
Muitas.
Tenho
tempo para sair da inércia?
Sim
Tenho
as duas pernas quebradas, mas posso engatinhar até morrer no caminho.
Sou
oposto à Natureza
Animal
que esta não consegue eliminar.
À
parte sou
Despezo-me.
Odeio-me. Nada sou;
Nada
bom faço!
Por
outro lado sou também oposto a tudo isto:
Tenho
Amor.
Tenho
medo
Tenho
medo e tenho amor.
Tenho
desejos. Sonhos.
Ambiciono
escrever textos melhores. Ter a alma desnudada
Mas
tenho também a frustração de saber ser isto, a meta mais inalcançável
[Julio César Maia]
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