I EPÍSTOLA A SEVERINO SIQUEIRA

“Nada Consigo Fazer, quando a saudade aperta.
Foge-me a inspiração
Sinto a alma deserta(...)
Procuro afogar no álcool, a tua lembrança. Mas noto que é ridícula a minha vingança”
(Cartola)



Passados tantos anos que fostes embora, tua imagem, teus ditados, o teu ser continua entranhado em nós, como um bom perfume. Como fotografia límpida, real, nova...
Te renovas em nossa geração.
Tivemos o privilégio e a dor de te conhecer, de te amar, te ver sofrer,
e partir...
Não há musica melhor pra definir o que sentiste quando teu norte, teu principal navio afundou em teu cais...
Quando a saudade te apertava, nem mesmo a caneta,
que tantos textos de amor a vida,
 trouxe a mim desejo de vivê-la,
 conseguias manter firme sobre o papel
que se banhava de lágrimas
ou de álcool...
Inútil Vingança...
Maria foi uma Rosa que Deus levou à seu jardim...
Logo depois irias tu e não sabias,
 para nossa agonia...  
para que possamos te eternizar,
 para que possamos passar pra nossas gerações o teu jeito, a tua voz, a tua letra, a tua marca!
És tatuagem irremovível de nossa alma.
 És perfume.
És Flor.
Beija-flor, Borboleta...
As primaveras não são mais as mesmas.
As flores sentem tua falta.
A gente só entende que você nunca foi, e mesmo sentindo inútil, achamos que podes surgir a qualquer momento...
ou nos consolamos trazendo sua eterna imagem,
de um ser iluminado,
amante da vida,
como alguém importante que trouxe alegria, que significou importância e  como todos os bons...
Se foi...
Deus resgatou-o para o seu Jardim...


JCesar



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