Autocídeo (II)



E quando o seu bem-querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás”
(Chico Buarque)


É só mudança de Paradigma – Dizem.
É só mudar o ângulo – Afirmam;
É Apenas orar, e entregar a Deus – Defendem;
É essencial esperar – Aconselham.

Eu Não.
Eu preciso de um escape; uma fuga, uma sombra…
Preciso fechar a porta, abrir o gás.

Preciso de um sol sensível.
Um plano irreversível- único, voraz, infame, intransigente.
O Autocídeo não nos é o caminho – Escuto dentro de mim; é humanamente covarde o ser que se envereda nestes caminhos. É soberbo ir de encontro a si, como se fosse você mesmo o próprio poste. A Vida é dádiva. É entrega de sopro divino, doação, demonstração de afeto do Criador.
Não seja você Covarde. Não seja você o que foge à guerra de si mesmo. Não seja você o Inimigo de si, o indivíduo que a si mesmo não se perdoa, e se vê obrigado a conviver consigo, e por isso não há como fugir… mesmo sendo pelo este caminho…

Se faz essencial rever a si. A forma como se insere no mundo, a maneira como se enxerga e o momento de esperar, pedir e merecer…

Queria ir – é fato.
Ir e não voltar jamais.
E Não ter remorso, e não ter cais…
Queria ir – como um barco que faz a curva e evita o Cais.




Julio Cesar Maia


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