“Corcovado"



Copacabana
esta semana o mar sou eu”


O que se passa em mim que de forma tão bruta me arranca de mim?
O Que é isto que quebra meus ossos, arranca meu espírito, e
de forma abrupta e insana me lança ao inferno que sou?

(Eu sou de mim mesmo o inferno; qualquer outro fora de mim, é muito pouco, quando comparado ao que fiz para mim mesmo…)

O que ocorre que me desencandeia tanto ao ponto de não saber o que há no fim deste umbral?
Este umbral sem resgate,
Eterno, infame, podre!

O que me faz escrever tão tristes letras?
Qual é a dor que aflinge este espírito se não um conjunto desmedido de sentimentos confusos e avassaladores… aterrorizantes…

Abro as janelas no décimo terceiro andar e não sei…

Não sei… não sei!

Na Imbiribeira a cem por hora, avanço todos os sinais

não sei… não sei…

Eu não quero voltar, não irei mais voltar

Na contramão,

no Corcovado, quem abre os braços sou eu...”




Júlio Cesar Maia
Recife, 28.04.2018

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