I Epístola à Clecilene Siqueira


“O Aço dos Meus Olhos,
E o fel das minhas palavras
Acalmaram meu silêncio,
Mas Deixaram suas marcas”


Poucas coisas nos unem tanto, quase como irmãos, quanto esta música. Me remete aos domingos sombrios, cinzas, deprimentes em que ia a Dois Unidos buscar luz;

E Encontrava luz na semelhança que somos. No noturno que encontrávamos e de vez em quando, ainda nos encontramos.

Enfrentamos aços nos olhos. Caminhamos em brasas vivas, e ainda sim, nos reerguemos mais fortes;

E ainda sim, cremos mais.
E ainda sim, somos capazes de ir mais longe do que pensávamos.

É como se Deus nos dissesse bem baixinho: “Só mais um pouco; mais um passo. Mais um dia. Eu estou aqui, pode vir cair em meus braços...”

Não sabíamos que com o tempo as flores ganhavam forças, mesmo quando a ventania vem mais forte…

Há ventos frios – é fato. Mas estes ventos nos conduzem, como fazem com as velas quando buscam o cais, o colo, a terra firme para evadir de nossas angústias…

Há dias claros. Há dias ensolarados e há esperança…

Há luz no ponto de chegada…
Há luz nos encontros aparentemente desencontrados
e nós estamos neste contexto;


Julio Cesar Maia




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