“Eu deixarei que morra em mim o desejo de
amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
Vinicius de Moraes
Vinicius de Moraes
Sinto um desconsolo.
Uma vida que nasce me mata. Eu sou talvez a
semente.
Talvez esteja na hora de minhas estagnadas águas
seguirem o fluxo da correnteza;
Abandonar essa terra amaldiçoada por gestos e ações
impensados;
Por descuido divino. Por seu ódio; ou negligência. Ou
abandono...
Um desconsolo me trás desconforto.
O desconforto me faz repensar...
Reconstruir
Recomeçar...
Mas há contudo, um espinho a furar meus pés
E um fardo a carregar e que ninguém nada pode fazer...
E então olho tuas fotos,
E me lembro da ultima noite...
Se eu soubesse que era aquela a ultima noite...
Seria vivida com tanta força...
Com tanto ardor,
Com tanto queimor, com tanto fogo
E dor... Que até hoje hemorrageria...
Mas o que me despedaça é que houve a última noite.
A noite em que tuas mãos entrelaçaram as minhas
E Tua boca gemia palavras sem sentido,
E aquele corpo,
aquela alma, aquela voz, todo aquele ser desnudo se derramava navegando, deslizando sobre mim...
Como se tudo aquilo fosse um só ser...
Enquanto entravas em minha alma com teus seios em minha
boca,
O teu perfume arrancava-me a minha para que eu – mesmo por
um momento – fosse parte inseparável de ti...
Eu deixarei que te vás... Que leves contigo minha alma,
Enquanto morro revivendo o que a memória permite, de
teus abraços, beijos, e quem sabe
juras....
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