*Atençao: Este texto possui linguagem inapropriada para pessoas com menos de 18 anos
Manuel Bandeira tem razao: São incomunicáveis as almas.
Nossos olhos se entrelaçaram por um instante. A astúcia toca o espinho do desejo.
Nada foi dito verbalmente, somente nossos olhos faiscando algo que não tenho neste momento significados para falar. Ela? 22 anos. Eu? 39. Ela? Casada. Eu? À deriva. Embriagado ao mar. Sem porto...
Olhou-me nos olhos fixamente. Olhos azuis. Pupilas dilatadas: denúncia. Olhou-me pouco abaixo da cintura, a altura da virilha, entre as pernas...E nova denúncia. Alumbramento...Pus a pasta do escritório na frente, tentei ocultar o volume. Tarde de mais. Assim como suas pupilas e sua língua a umedecer seus lábios, seus dentes superiores mordiam os lábios inferiores, estava ali a denúncia. O volume a quase rasgar a calça. Rosto vermelho de minha parte. Sorriso irônico da parte dela. Senti naquele momento a fúria silenciosa do desejo carnal, instintivo, humano... Tirou os olhos de meu volume. Fixou-os novamente nos meus. Abriu um pouco a boca, balançou a cabeça, entreabriu os olhos espremendo-os. Aproximei-me. Seu nome? Camila.
Nunca imaginei que iria amar tanto, tantas vezes, pronunciar este nome: Camila... Camila não era só doce no nome, era doce na sucção, no devorar, no olhar-me nos olhos enquanto me engolia.
Seus olhos azuis intimavam-me ao prazer de sentir sua boca, pedindo pra que eu, delicadamente, tal qual um beija flor, a acariciasse o céu da sua boca...
Ao mesmo que me sobrevinha o medo de seu marido chegar de repente e todo aquele sonho maravilhoso se tornar um verdadeiro umbral...
Camila era uma mistura vulcânica, alguém que, apesar de tão pouca idade, já conhecia os recantos mais sofisticados da imaginação.
Enquanto ela, antropofagicamente me possuía, me dominava com seu poder, e suas mãos como um laço, me mantinha preso a sua boca.
A depender de mim, ficaria a noite inteira escondido em sua boca, saindo e entrando....
Mas Camila deseja mais que aquilo. Camila simplesmente se levantou e incomunicavelmente me jogou sobre a cadeira da cozinha. Tirou a blusa. A calça. Entrelaçou suas pernas brancas, torneadas, e dessa vez quem teve a face acariciada por seus seios de bicos rosados fui eu... Não sei se te dizer ao certo se nesta hora estava perto de mim o demônio ou os anjos. Que se fudesse seu marido. Que se fudesse o porteiro(testemunha do crime de nos amar). Que o marido morresse, que ele me matasse. Que ele me jogasse do vigésimo andar. Que ele me atropelasse. Que eu virasse asfalto na Avenida Boa Viagem. Foda-se. Que naquele momento eu fosse ao inferno. Que importava as Leis?
Camila estava sentada, bailando sobre mim, me enlouquecendo, puxando meu cabelo, arranhando minhas costas, mandando chama-la de Puta, de gaieira, de rapariga, mandando enfiar com força. Entre outras palavras “imorais..”.
Até que houve um momento em que eu, embriagado pela circunstância querendo estender mais aquele momento, levantei-me subitamente, suspendendo Camila, que colocava um dos seus lindos seios em minha boca, e a coloquei sobre o bar do marido, derrubando duas garrafas de whisky, certamente das mais caras(alguém estava com muita sede), abri-lhe as pernas e mergulhei no mais encantador Paraíso de Camila. Camila gemia, falava coisas que eu não ouvia, era a incomunicabilidade das almas. Uma mão Camila pegou e colocou dentro de si. A outra mão, ora passeava por seus seios, ora por sua boca, sua boca gelada, pequena, carnuda, doce, gostosa...Então Camila, com o pescoço jogado para trás prendia- me a cabeça, aprisionando-me a sua genitália lisa, rosada, enquanto minha língua( assim como aquele beija-flor em outra flor) explorava os recantos talvez nunca conquistados por seu marido...
Camila pareceu não suportar mais. Jogou- me na cama que era testemunha ocular das noites de prazer com seu marido e mais uma vez cruzou suas pernas e colocou sua genitália em minha boca, enquanto gemia mais alto, mais forte, e sem pudor...Camila segurava meus cabelos como se minha cabeça fosse fugir. E a mesma dança, aquele mesmo movimento que fazia na cadeira da sala em meu colo, sobre a rigidez do nervo, fazia ela sobre minha língua, que tocava algum ponto específico de sua natureza e anatomia feminina...Enquanto isso, enquanto tal qual um anjo descendo do céu, Camila mandava que lhe explorasse o corpo, que navegasse sobre seu bumbum branco, delicado, liso, enlouquecedor...E minhas mãos passeavam hora entre suas pernas lisas, hidratadas, cheirosas(Aliás Camila, como já devia ter dito: é uma flor)seus seios, sua boca ainda mais gelada, e seus cabelos...
Então, minha amante naquele momento tira abruptamente seu paraíso de minha boca, e com as olhos azuis, e a mesma pupila dilatada, roçando sua genitália sobre a minha, ordena: me coma agora!
Me levantei subitamente. Ordem dada: Súdito obedece.
Coloquei Camila numa posição em que só olhar aquele bumbum com aquele desenho, aquele formato, me fez sentir o próprio Deus. Ou um Deus que roubou as ideias arquitetônicas daquele corpo. Deus a fez só pra mim, e errou o momento de nascermos. Nasci antes...Agora o demônio me enlouquece dando a mim a suposta posse de uma mulher que não me “pertence”!
Impaciente, Camila deitou-se colocando seu bumbum mais pra cima, deitando os seios sobre a cama, pegando minha mão, colocando em seus cabelos longos e ordenando: enfia com força, puxa! Bate! Me chama de puta, caralho! Enfia porra! Diz que Ivan é um corno, que você faz comigo o que ele nunca fez, que você vai me fuder como ninguém nunca me fudeu!
E assim fiz, até não suportar e eruptizar a esperança da natureza na procriaçao da espécie... Camila, com os lábios gelados, os seios pontudos, a genitália ora contraindo ora afrouxando, apertou com força minha mão. Beijou-me como despedida. Caiu uma pequena lagrima de seus olhos. Convidou-me a banheira.
Fazia planos para o futuro, desconsiderava o casamento e minha idade. Camila é uma flor, eu? Um velho pássaro.
Antes do sol desvirginar a madrugada, zarpei em meu veículo. Beijo na boca. Lábios quentes. Contato que nunca mais se realizou.
Passo na frente do prédio de Camila todos os dias. Às vezes paro. Finjo estar vendo o mar. Quero rever Camila. Nem que seja de longe. Por que Diabos o cheiro ficou em mim tatuado?
Por que só uma noite? Por que Camila não mais me quer como seu amador?
Não sei te responder... Só sei que toda madrugada, entre 00h e 02h da manhã fico esperando o telefone tocar. E como não toca, me possuo na intenção da minha flor regada em outro jardim: Camila.
Julio Cesar Maia
21.06.2020
02h
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